Uma jornada mundial da acolhida

depoimento feito pela Ir. Thais Nascimento Bitencourt


Saímos no dia  21 de julho de 2013 do Colégio Santa Maria, mas, com certeza nossa jornada já havia começado muito antes com todos os preparativos desde comunicação com o grupo organizador e paróquias, autorizações  e conversas com os pais, até a busca de mochilas e sacos de dormir. As redes sociais facilitaram muito nosso tempo de pré-jornada.
Dividimos o ônibus com um grupo da diocese de Santo Amaro e as irmãs da Santa Cruz que foram para participar da feira vocacional JMJ.  Numa empolgação tão grande quase ninguém pôde dormir durante a  viagem ao Rio de Janeiro.
Ao chegarmos em Santa Cruz - RJ com o grupo de 25 alunos, dois professores Henrique  Genereze e Valeria Delbem, o estagiário Gabriel Nascimento  e eu, enfrentamos algumas horas antes de pegarmos nosso "kit peregrino" e seguirmos em direção ao alojamento na Barra da Tijuca.
Fomos realmente surpreendidos. Havia a possibilidade de ficarmos alojados numa escola, no entanto, o fato de ser uma escola pública em condições bem diferenciadas da nossa realidade Santa Maria. O  dormir no chão e o banho gelado exigiam de cada um de nós que saíssemos completamente de nossa zona de conforto. Visto que éramos todos chamados de peregrinos, fazíamos valer o nome.
Nossa realidade ficou mais desafiante com a chuva e  o frio que nos acompanhou na chagada à cidade maravilhosa. 
Por questões de segurança não podíamos voltar ao alojamento até que se encerrassem as atividades, às 23h todos os dias. Então íamos descobrindo jeitos e lugares para nos abrigar da chuva... Recorríamos ao shopping center que se encontrava cheio de outros peregrinos também fugitivos da chuva. Numa dessas visitas ao shopping, conversando com um vendedor ,que estava trabalhando horas extras , ele dizia:  "esta semana esta muito interessante com tanta gente de fora, saio de casa alegre para vir trabalhar."
Nosso encontro com outras nacionalidades eram constantes, assim como muitas fotos, troca de bandeiras e a tentativa de comunicar-se com esse imenso grupo de tantas línguas.
Participamos nas atividades centrais, missa de abertura, acolhida para o papa, via sacra, vigília e missa de envio, tudo  na medida do possível. Até nos encontramos de frente com o papamóvel por duas vezes... sem o Papa, claro...
Essa foi uma experiência muito diferente daquela a qual estamos acostumados. Normalmente vamos a outros lugares para servir  como voluntários e missionários, mas nessa nossa jornada fomos chamados a praticar nossa humildade e nos colocarmos no lugar de muitos, aqueles que necessitam. Nós éramos os peregrinos, os estrangeiros na terra de outrem.
Nisso tudo, o que aparecia, até mais do que o próprio papa, a quem chegamos a ver pelo telão e de passagens pelo papamóvel, foi a harmonia entre povos distintos, e muita generosidade.
Generosidade tamanha que levou pessoas desconhecidas a abrir suas portas para que pudéssemos tomar um banho mais quente. Fizeram arrecadações de agasalho, cobertores e  nos trouxeram uma sopa que esquentava até a alma, naquelas noites frias e molhadas.
Numa das casas onde fomos acolhidos para um banho quentinho, uma senhora que foi como uma mãe, cuidou de nós como fazia com seus próprios filhos. Vendo os cabelos tão compridos, ofereceu de fazer tranças para nós e enquanto o fazia nos dizia que esse gesto de carinho era considerado por ela e seus filhos seu momento de comunhão. Esse realmente foi um momento místico de demonstração da comunhão que estava acontecendo entre tanta gente mesmo que fora dos rituais tradicionais da igreja.
Muitos outros encontros se deram muitas pessoas  abriam suas portas, braços e corações mesmo sem conhecer-nos, muitos abraços e sorrisos foram marcas registradas dessa experiência única para cada um de nós.
Algo que realmente trouxemos para casa e para a vida foi  o valor de coisas tão pequenas... um banho e uma cama quentinha, o cuidado e o carinho e até um pedacinho do papa no meio da multidão...rsrsrs.
E, assim se deu nossa experiência tão singular na Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro e o que ainda tenho a dizer é que agradeço não só àqueles que nos acolheram por lá, mas a todos que nos apoiaram e ajudaram nessa aventura inimaginável e principalmente à Valeria, ao Henrique, ao Gabriel e a cada aluno e aluna que conheci mais profundamente e me orgulhei. Valeu galera!