O Brasão das IRMÃS DA SANTA CRUZ

No logo (selo) da Congregação da Santa Cruz, aparece a CRUZ e as duas ÂNCORAS. A âncora é o símbolo cristão para ESPERANÇA e a CRUZ ilustra adequadamente o lema da Congregação: Crux Spes Única: A CRUZ É NOSSA ÚNICA ESPERANÇA. Foi tirado de um antigo hino litúrgico cantado às vésperas das festas que celebravam a CRUZ durante a paixão. O hino proclama “Salve a Cruz, nossa única esperança”. (O Crux, ave, spes única)

AS CONSTITUIÇÕES DA CONGREGAÇÃO DA SANTA CRUZ

Os rostos de todos os seres humanos que SOFREM são para nós, o rosto de Jesus na Cruz. Os nossos devem ser: a mesma cruz e a mesma esperança. Nós não sofremos como pessoas sem esperança, porque Cristo, o Senhor, fez a ascensão para não morrer mais. Se aceitarmos como Ele o sofrimento em nossa missão, poderemos andar sem medo no meio daqueles que sofrem. Devemos ser pessoas de esperança. Os passos daqueles que nos chamam para andar a seu lado deixaram marcas profundas como pessoas que carregavam fardos pesados. Mas não estavam se arrastando; andavam a passos largos, porque tinham a esperança.

Eu convido vocês a andar na COMPANHIA DA SANTA CRUZ E A COMPARTILHAR NOSSA ESPERANÇA. A âncora cristã da esperança tem a ver com confiança e não com desejo. E a vitória da CRUZ vem do amor que é mais forte do que a morte, por isso a morte não tem poder sobre a vida. Por isso, a nossa esperança é a esperança da CORAGEM DE SER E ASSUMIR RISCOS.

 

A CRUZ: SINAL DE ESPERANÇA


O Venerável Pe. Moreau, fundador da Congregação de Santa Cruz, via a partir da cruz de Cristo a sua experiência pessoal e comunitária, o mistério do amor de Cristo manifestado nos seus sofrimentos. O brasão da cruz ladeada por duas âncoras, lembra-nos a cruz de Cristo para nos encorajar a carregar, na missão, a cruz, como sinal de esperança.

Pe. Moreau, esperançoso e confiante em Deus, conforme lemos em suas biografias, deixava-se levar pela ousadia do Espírito Santo. Isso se observa nas suas decisões corajosas e delicadas em vista da missão. Saiam da França religiosos e religiosas fisicamente frágeis que,com coragem, enfrentavam uma nova cultura e um outro país. O que movia aqueles homens e mulheres eram a confiança e o entusiasmo pelo projeto comum de missão em Santa Cruz.

Desde 1839, Santa Cruz se espalhou pelo mundo e chegou também à América Latina: padres, irmãos e irmãs provindos dos EEUU e do Canadá. Hoje a realidade não é a mesma da época do Pe. Moreau, nem de quando chegaram os padres, irmãos e irmãs dos EE.UU e do Canadá. Hoje na América Latina vivemos diante de novos desafios. Pertencemos a diferentes províncias com diferentes distritos.

A realidade da cruz é a nossa fragilidade humana, a diminuição de religiosos e religiosas, a dor e o sofrimento dos pobres. Todos os dias nos deparamos com tragédias humanas, vidas ameaçadas, pessoas angustiadas, rebaixadas, abandonadas e esquecidas à sombra da cruz. Mesmo assim, há religiosos e religiosas que se dedicam com amor à missão de Santa Cruz.

O Venerável Pe. Moreau frequentemente relembrava aos religiosos e religiosas de Santa Cruz que as experiências da cruz são inevitáveis na vida e no ministério. Tudo na missão deve ser feito com amor e zelo apostólico, confiança na Divina Providência e para a glória de Deus.

A nossa resposta à missão de Santa Cruz hoje no mundo moderno pode ser uma conversão ou uma fuga da cruz. Fala-se da Reestruturação de Santa Cruz. Vemos dificuldades culturais, distanciamento geográfico e linguístico, apegos e interesses diversos. A pergunta é: ‘Como será o nosso agir, cheio de esperança?’ ‘Temos esperança no futuro em Santa Cruz?’

Acredito que precisamos descobrir em nós sentimentos de profunda compaixão e ternura para transformar o peso institucional em vivência de valores evangélicos, colocando-nos nas mãos de Deus Pai, cuja vontade era o alimento quotidiano do seu Filho Jesus.Toda a ação na missão de Santa Cruz deve ter sua razão primeira e última em Deus, que está no centro de nossa vida como Pai, como esteve no centro da vida de Jesus, no Espírito. A oração e vida fraterna devem levar-nos para a caridade evangélica entre nós mesmos.

É preciso ouvir o Evangelho e acolhê-lo na docilidade interior e evitar a tentação do poder e de se colocar no lugar de Deus. Devemos ter sensibilidade evangélica, humildade, solidariedade e misericórdia como Jesus. Jesus foi misericordioso e “comoveu-se até as estranhas” e teve “frêmitos de compaixão”. Também teve compaixão da multidão “porque estava cansada e abatida, não tinha o que comer” (Mt 9,36; 14,32). Diante de um leproso é “movido de compaixão, estende a mão e o cura” (Mc 1,40).

Portanto, a cruz, sinal de esperança para a missão de Santa Cruz, neste tempo de preparação e renovação espiritual da Beatificação do Pe. Moreau, tem razão de ser quando somos capazes de recriar a amizade fraterna em Santa Cruz numa atitude de testemunho evangélico e de sensibilizar-nos para com os mais pobres e necessitados, sendo com eles, sinal de esperança e de vida.